sexta-feira, 25 de julho de 2014

; frio



               Às vezes acho que me perdi. Em algum lugar entre o tempo e a falta dele, o tento, o vento. É como se eu fosse um barco a velas que de quando em quando entra numa tempestade, e balança, e vira, e bate... Bate. O coração é assim. E é sempre o coração.
               Me perco como se dentro de mim houvesse um labirinto infinito de caminhos frios, tão frios como chuva no inverno. Neste caminho, não sei onde estou, não quem sou, o que eu sinto... E perco os sentidos. E os sentimentos. E acho que nunca mais vou achar.
               Então procuro, cavo, puxo... E ele ainda esta lá.
               Tão colorido como sempre foi.
               Maduro. E às vezes duro. Mas ainda lá...

               A vida adulta, no fim das contas, parece ser um reviver de coisas boas e a busca incessante de novas coisas boas para reviver depois.

               Mas o caminho entre elas pode ser frio. E às vezes eu me perco.

segunda-feira, 25 de junho de 2012

; ampulheta (sobre eu cor e eu música)


               A areia vai caindo, grão a grão, e eu olho para o desenho. Não me lembro de quando troquei o lápis preto pelos outros, mas de fato, está ficando bom. Colorido. Cheio de camadas, de calor e de sorrisos.
               As cores brincam, tom sobre tom, assim como na música. E é assim que me sinto confortável – quando tudo se mistura numa coisa só. Quando eu sou uma coisa só. Música, cor, nota, traço, acorde, canção... Sentido. Sentindo. Ou não.
               Mais areia pra baixo e eu sei que está em ritmo intenso, mas estou satisfeita com o resultado até aqui. Os traços são firmes, concretos, corretos, um leve colorido montando a aquarela daqui de dentro. Eu gosto do brilho, do tom, do gosto, do som...
               Os grãos terminam. Hora de virar de cabeça pra baixo e começar de novo a contagem, a melodia, a montagem, a composição.
               E tocar (a música, o tempo, a vida).

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

; garbage

        Nos escondemos atrás das pequenas brigas fúteis do dia a dia porque temos medo do que realmente mora dentro de nós. O medo é maior que a nossa coragem de colocar tudo pra fora, de discutir o que realmente nos incomoda, de colocar ponto no lugar de ponto, pingo no lugar de pingo. Porque torcer o nariz e fechar a cara é muito mais fácil que explicar o motivo pelo descontentamento e tentar trabalhar em cima disso para que não aconteça novamente.
        Porque estamos presos nessa estupidez chamada comodismo. Porque sair dessa área de conforto daria muito trabalho, muita discussão, muitos argumentos que por muitas vezes sabemos ser ridiculamente falhos, argumentos que seguram, como cordas frágeis, nossas relações cotidianas.
        É mais fácil apenas fechar os olhos e passar pro próximo capítulo, fingindo que nada aconteceu, que está tudo bem. Porque uma vez que a caixa de pandora está aberta, somos obrigados a nos expor, expor mais do que gostaríamos normalmente. É mais fácil continuar estocando o monte de lixo na garganta.

        Quer uma dica? Vomite. E então recicle-se.



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ps.: Observando, apenax.

pps.: Depois de algum, foi isso aí que saiu... Estou voltando. Aos poucos, mas vamos lá...

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

; João 4:20

"Se alguém diz: Eu amo a Deus, e odeia a seu irmão, é mentiroso. Pois quem não ama a seu irmão, ao qual viu, como pode amar a Deus, a quem não viu?"



e eu nem sou tão Cristã assim...

segunda-feira, 25 de julho de 2011

; no silêncio

        Não se preocupem: eu estou bem. Quando o silêncio toma conta de mim em um nível tão absurdo a ponto de sequer me lembrar de como se coloca sentimentos em palavras... Significa que está tudo bem. Ou a verborréia nervosa e sem sentido seria tão grande, tão ridiculamente grande, grande ao ponto de alguns me mandarem nunca mais abrir a boca – ou o editor de textos –, como vocês mesmos já presenciaram vezes antes.
        O silêncio vem no momento de reflexão e de plenitude singular. Nunca estive assim, desde os tempos de criança, quando não tinha aflição alguma que me fazia querer transbordar de alguma forma. Sem vontade alguma de externar, de um jeito ou de outro, o que eventualmente poderia reprimido aqui dentro. O silêncio me toma quando meu coração está calmo, tão calmo que me faz duvidar que turbulências realmente existam.
        Estou em silêncio. Porque é no silêncio que tudo aquilo que deve ser entendido realmente é – com os olhos, com os sorrisos, nas maiores ou menores atitudes... E hoje elas estão aqui. E acreditem, eu sei – e sinto – o quanto aqui pode ser importante.
         E continuo em silêncio.





desculpinha esfarrapada pra ridícula falta de textos, beijos.