domingo, 1 de outubro de 2017

; às vezes

às vezes eu sinto que me desconectei de mim mesma e perdi em consequência a conexão com tudo de bom que eu tinha
às vezes eu sinto que me perdi no caminho, que me perdi de mim e do amor no meio da trilha
às vezes eu sinto que tô dormente e não consigo levantar e continuar os passos
às vezes eu sinto que tudo de bom tá escorrendo pelo meus dedos e não há nada que eu possa fazer pra segurar
às vezes eu sinto que tô perdendo tudo que um dia guardei aqui dentro nos lugares mais profundos reservados àquilo que teremos de mais importante pra sempre

mas então
a vida
às vezes
em pequenos sinais
me lembra que raízes profundas podem até se mexer no vendaval
mas vão continuar sendo raízes
vão continuar enraizadas
e vão se perpetuar
se for possível
durante a tempestade mais feia
se segurar na fé que temos em nós mesmos

e em tudo que temos em nós 

sexta-feira, 25 de julho de 2014

; frio



               Às vezes acho que me perdi. Em algum lugar entre o tempo e a falta dele, o tento, o vento. É como se eu fosse um barco a velas que de quando em quando entra numa tempestade, e balança, e vira, e bate... Bate. O coração é assim. E é sempre o coração.
               Me perco como se dentro de mim houvesse um labirinto infinito de caminhos frios, tão frios como chuva no inverno. Neste caminho, não sei onde estou, não quem sou, o que eu sinto... E perco os sentidos. E os sentimentos. E acho que nunca mais vou achar.
               Então procuro, cavo, puxo... E ele ainda esta lá.
               Tão colorido como sempre foi.
               Maduro. E às vezes duro. Mas ainda lá...

               A vida adulta, no fim das contas, parece ser um reviver de coisas boas e a busca incessante de novas coisas boas para reviver depois.

               Mas o caminho entre elas pode ser frio. E às vezes eu me perco.

segunda-feira, 25 de junho de 2012

; ampulheta (sobre eu cor e eu música)


               A areia vai caindo, grão a grão, e eu olho para o desenho. Não me lembro de quando troquei o lápis preto pelos outros, mas de fato, está ficando bom. Colorido. Cheio de camadas, de calor e de sorrisos.
               As cores brincam, tom sobre tom, assim como na música. E é assim que me sinto confortável – quando tudo se mistura numa coisa só. Quando eu sou uma coisa só. Música, cor, nota, traço, acorde, canção... Sentido. Sentindo. Ou não.
               Mais areia pra baixo e eu sei que está em ritmo intenso, mas estou satisfeita com o resultado até aqui. Os traços são firmes, concretos, corretos, um leve colorido montando a aquarela daqui de dentro. Eu gosto do brilho, do tom, do gosto, do som...
               Os grãos terminam. Hora de virar de cabeça pra baixo e começar de novo a contagem, a melodia, a montagem, a composição.
               E tocar (a música, o tempo, a vida).

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

; garbage

        Nos escondemos atrás das pequenas brigas fúteis do dia a dia porque temos medo do que realmente mora dentro de nós. O medo é maior que a nossa coragem de colocar tudo pra fora, de discutir o que realmente nos incomoda, de colocar ponto no lugar de ponto, pingo no lugar de pingo. Porque torcer o nariz e fechar a cara é muito mais fácil que explicar o motivo pelo descontentamento e tentar trabalhar em cima disso para que não aconteça novamente.
        Porque estamos presos nessa estupidez chamada comodismo. Porque sair dessa área de conforto daria muito trabalho, muita discussão, muitos argumentos que por muitas vezes sabemos ser ridiculamente falhos, argumentos que seguram, como cordas frágeis, nossas relações cotidianas.
        É mais fácil apenas fechar os olhos e passar pro próximo capítulo, fingindo que nada aconteceu, que está tudo bem. Porque uma vez que a caixa de pandora está aberta, somos obrigados a nos expor, expor mais do que gostaríamos normalmente. É mais fácil continuar estocando o monte de lixo na garganta.

        Quer uma dica? Vomite. E então recicle-se.



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ps.: Observando, apenax.

pps.: Depois de algum, foi isso aí que saiu... Estou voltando. Aos poucos, mas vamos lá...

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

; João 4:20

"Se alguém diz: Eu amo a Deus, e odeia a seu irmão, é mentiroso. Pois quem não ama a seu irmão, ao qual viu, como pode amar a Deus, a quem não viu?"



e eu nem sou tão Cristã assim...